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Posts Tagged ‘poesia’

Robson Sampaio é um profissional que adimiro bastante. Sabe aquelas pessoas que te consideram antes mesmo de te conhecer ? Esse é o Robson Sampaio.  Ele é  jornalista,  escritor e colunista do jornal Folha de Pernambuco.

Hoje, além de amigo meu, é também um grande poeta . Sua poética nos remete  aos sentimentos mais ocultos de nossa alma. Abaixo, você confere algumas de suas pérolas. Mais, você encontra em seu livro ” O Recife e outros poemas” e  no Campo EU INDICO do meu blog. É só clicar lá. Vale a pena conferir!

hasta la victoria siempre 😉

Recife Antigo

Nos botequins de ontem,
relembro velhos e novos amores
e carrego, por ruas e becos,
o presente e o passado,
simbiose de eterna saudade.
Então, batem as lembranças:
nada mudou no Recife Antigo,
onde poetas, bêbados e vagabundos
vagueiam, à noite, feitos zumbis.

Somos os sonâmbulos da boemia,
animais sedentos de amor e de paixão,
que recolhem pedaços da carne
só para salvar a alma e, assim,
alcançar o perdão.
Nada mudou no Recife Antigo,
onde as faces sofridas se multiplicam
iguais e com sulcos talhados de dor…

Somos os compositores das canções da vida,
os poetas dos poemas passageiros,
os artesãos que juntam trapos e confeccionam,
diuturnamente, o eterno uniforme do Recife Antigo.
Formamos o cordão dos desesperados,
de alegrias furtivas, de sonhos perdidos
e de vontades saciadas, quase sempre,
em corpos estranhos.

Mas, nada mudou no Recife Antigo,
onde a sinfonia prossegue até o clarear dos arrecifes.
E, nós, em passos trôpegos, buscamos a Estrela Guia,
entoando o canto mágico do faz de conta.
Assim, transformamos o nada em tudo
e o imaginário em imaginação,
enquanto a música melosa é ouvida mais forte
nos puteiros do Recife Antigo.
Onde, nada muda…

Desabafo

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você


Nossos olhares…

Nos olhamos

E ela foi embora

Levando o meu olhar…

Pouco antes,

Nos cumprimentamos

Como se fossemos

Estranhos…

Logo depois,

Ela foi embora

Levando o meu olhar…

E eu fiquei,

Até hoje, com os

Olhos do seu olhar…

Agosto

A ventania varre o Recife todo.

É agosto. Mas, não varre a miséria,

a sujeira e a indignidade.

Porém, prenuncia o calor do verão.

É o mês do desgosto?

Nas ruas, becos e pontes, esvoaça saias,

despe o recato e reimagina vontades,

enquanto as mulheres sonham com

a vadiação…

Alegria?

Aos homens, suscita o bem-querer

e estimula a bebedeira do dia-a-dia.

Agosto, desgostos, vontades e vadiação…

Apocalipse das tentações?

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A todos nós, profissionais da palavra seja por talento, vocação, estudo, persistência ou interesse, fica o parabéns desse dia comemorativo a escolha que ousamos adimitir ter nesta vida: sermos poetas.

A todos os barrocos, arcadistas, romancistas, realistas, naturalistas, simbolistas, parnasianistas, modernistas, contemporâneos, fica o lembrete de, seja em quaisquer período literário, continuamos humanos, frutos de uma mesma esfera em prol do alcance sensitivo de nossa raça que tanto nos inquieta…

Muita gente acha que para ser poeta é preciso ter sempre uma rima na manga, ver flores onde não existem, ser um neurótico da vida preocupado com que os outros vão falar de sua poética, e por aí cartas_jovem_poetavai… Alguns podem até possuir tais pensamentos, mas, prefiro mergulhar nos conselhos encontrados em Cartas a um Jovem Poeta, meu livro de cabeceira, do poeta e escritor Reiner Maria Rilke quando destinou suas sábias palavras ao então iniciante Franzz Kappus, dizendo-lhe: “(…) Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? pergunte isto a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite:”Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples “SOU”, então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão…”

E o SOU foi a resposta de minha vida. Lembrando que Rilke era austríaco e foi criado na Alemanha.

Bom, eu sou brasileira, cearense, criada em Pernambuco, sobrevivendo a São Paulo…É isso aí gente, cada um com sua história, inspiração e referência poética…” Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez”, bom, mas, isso já outro papo… FELIZ DIA DO POETA !

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Percepção

amor 7

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Caminhando nas ruas de São Paulo, cidade habitada por tantos brasileiros de outros estados,  reparo como é difícil encontrar um paulistano legítimo na rua. Percebo o quanto essa métrópole é carregada de anseios e expectativas, nem sempre correspondidas, mas, que de alguma forma, interferem em nossa rotina e na maneira de enxergarmos a real situação do nosso país,  mesmo quando achamos que não temos tempo para isso.

No Ritmo de São Paulono ritmo

Gente, povos, raças.

Mistura de um tudo,

Cidade em ritmo.

Desabrigo de tantos

Que dela dependem

Sonhos de um Brasil

De vida carente.

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