Quem disse que palavrão não é cultura? Se em tempos passados o termo feio era reservado apenas a poucas tribos,
hoje é prática corriqueira até no Congresso Nacional. Em meados dos anos 70, o escritor Mário Souto Maior (1920-2001) percebeu o valor dessa cultura e sistematizou esse rico vocabulário no Dicionário do palavrão e termos afins. Lançado em 1979, o livro agora está de volta nas prateleiras das principais livrarias do Brasil.
Em pouco mais de 200 páginas desta obra, que segundo Gilberto Freire , autor do prefácio, é “pioneira e lúcida”, estão contemplados os significados de palavrões escrachados, assim como aqueles mais sutis, ou em desuso, como “papar na caixa” e “viver sem regras”, antigas expressões para a prática dos pederastas. De acordo com Jan Souto Maior, filho de Mário, dos livros de seu pai, este foi o livro que teve mais repercussão. Jan afirma que o dicionário surgiu de uma conversa que Mário teve com Gilberto Freyre, que na época deu o que falar.

Dicionário do palavrão e termos afins teve oito edições, a primeira pela editora Guararapes e as demais, pela Record e agora pela Editora Leitura. Outros títulos bastante lidos do autor são: Remédios populares do Nordeste, Comes e bebes do Nordeste e Nomes próprios ou comuns, todos fora de catálogo. Entre títulos póstumos estão O grande livro das adivinhações e Dicionário folclórico para estudantes.